História da beleza no Brasil - Vaidade tem limite?

4 de dezembro de 2014

Mães vaidosas,olá!Como estão?!Hoje venho abordar um tema falado, discutido, comentado e pedido diariamente aqui no blog, tanto que não é à toa o nome que temos - MÃE VAIDOSA- né?! Por quê?! Porque a vaidade é sim importante!Ela é o maior combustível da auto - estima - porém - não é garantia de tal. E nós, mulheres e principalmente mães, sabemos que as vezes é muito difícil retomar a vaidade depois da maternidade. Hoje, nossa geração não enfrenta mais tanto os dilemas de décadas atrás, como foi com nossas mães e avós por exemplo, hoje temos inúmeros recursos, uma quantidade infinita de cosméticos nas prateleiras e prótese de silicone sendo anunciada e deliberadamente utilizada como se fosse uma peça de vestuário, simples assim.Arriscaria até a dizer (minha opinião pessoal) que há uma banalização do silicone, assim como das cirurgias plásticas em geral.Absolutamente nada contra quem faz para se sentir melhor consigo mesmo e corrigir possíveis "defeitos" mas fazer só para "estar na moda" eu não acho legal. Mas na verdade, acho que é algo muito mais cultural do que apenas um modismo. Assim como as cesáreas eletivas, onde o Brasil também é recordista mundial, eu digo também, porque ultrapassamos recentemente os EUA e agora somos o número 1 no ranking de cirurgias plásticas!UAU! Mas...a vaidade tem idade?Tem limite?Até que ponto você iria para se sentir mais atraente e agradar à si mesmo?Esse é um mal que assola a geração do Século XXI?!Não! Lendo o livro 'História da Beleza no Brasil', da escritora Denise Bernuzzi de Sant´anna, pude constatar que a busca pela beleza, pelo que seria "ideal" existe desde que o mundo é mundo!
Com certeza é uma leitura muito agradável e eu adorei, por isso estou recomendando aqui pra vocês, que assim como eu, não dispensam uma boa leitura!! Quer ver?!Você sabe porque o nosso querido rímel tem esse nome?! Porque em 1860, Eugène Rimmel lançou uma máscara que pintava os cílios.Pois é, eu também não fazia ideia! Devemos agradecer à esta e outras tantas personalidades da história, como o "fofo" Lúis XV por ter nos agraciado com o salto alto né?!!rsrs Adoro!!!
Então, essas e outras curiosidades deliciosas eu fiquei sabendo ao ler Historia da Beleza no Brasil, que como o nome sugere, nos narra os primórdios da "guerra" atrás da beleza - sim- as vezes podemos travar guerras cruéis com nós mesmos, por um esteriótipo de beleza perfeita! Por exemplo, a importação de cosméticos no Brasil foi liberada em 1990 e segundo a revista EXAME, a chegada destes cosméticos ao país, como os da Lancôme, foram vendidos primeiro em Porto Alegre, porque, segundo a reportagem, era no Rio Grande do Sul que se concentrava um número maior de mulheres habituadas a "fazer o passo a passo da beleza, da limpeza à nutrição", enquanto que as cariocas se preocupavam mais em se bronzear nas areias escaldantes de Ipanema!Mas que muito antes de 1990, as moças "chics" usavam pó de arroz vendidos em "casas francesas" e que isso diferenciava as classes sociais, mas que sempre demos nosso "jeitinho" caseiro para ficarmos mais bonitas, como no caso de uma banha para o cabelo, que era fabricada por uma senhorinha vendedora de panelas e que era o "must" na época porque deixava os cabelos lustrosos às luzes dos lampiões, na antiga São Paulo de 1872! Mas Beleza é relativo, certo? O que é belo pra mim, pode não ser pra você...antigamente por exemplo, lá nos anos 50, quando o embelezamento começou, de fato, a tomar formas e se transformar nessa megaindústria que é hoje, o "sex appeal" das gatinhas, era mais importante do que só a beleza em si, do que só uma pele e um cabelo bonitos. Saber andar delicadamente, se portar e ter gestos suaves, contava tantos pontos naquela época como ter um bumbum avantajado nos dias atuais! Coisa que eu acho incrível!Já que sempre fui muito mais adepta à neurônios bombados, do que músculos salientes! Continuo vivendo lá no passado, acho que a mulher tem que ser feminina, delicada, ter curvas e que um sorriso discreto e modos sutis chamam mais atenção do que seios quase de fora e um cigarro na mão... mas quase ninguém concorda comigo hoje em dia, já que vivemos numa revolução e ebulição hormonal onde as mulheres estão achando o máximo competir de igual pra igual com os homens, e não somente dentro do mercado de trabalho, mas nas academias e até nos modos masculinizados! E o livro fala muito disso, da mudança corporal, nas cores dos cabelos, nos comportamentos e na sexualidade, as noções de virilidade e feminilidade foram alteradas, assim como as expectativas diante do papel dos homens e mulheres na sociedade moderna!Bacana que eu citei isso a pouco tempo em outro POST meu, onde falo exatamente disso, de qual é o papel e a figura do Homem atual, o que ele espera da vida e das super mulheres desta geração!
Hoje o padrão brasileiro de beleza é o "corpão", popularizado pelos programas de TV com moças usando biquinis minúsculos e pernas enormes! Mas esse padrão mudou apenas de alguns anos pra cá, até então, e desde 1960, o "ideal" era o padrão europeu, o padrão "miss", mulheres esguias, magérrimas, cabelos lisos e longos cílios postiços. E como sofremos com essa padronização! Já que o Brasil é um país super miscigenado, de lindas mulatas de cabelo enrolado, de repente, todo mundo queria ser loira e magra! Estou gostando bastante de estarmos assumindo nossas raízes e nossos biotipos! As mais cheinhas estão ganhando uma nova auto - estima, com o popularização do termo "Plus Size", estão se assumindo e saindo na rua de shortinho e acho que as progressivas, para deixar todo mundo de cabelo esticadão, também já estão ficando "manjadas"! Claro, que a moda faz parte da beleza e vice- versa e não conseguimos fugir dela, como no caso das famosas "californianas" que eu vejo em 99,9% das mulheres neste verão!!rsrs Mas aí...aí pode né gente?! O que não faz a minha cabeça mesmo é a vulgarização da figura feminina e o pior de tudo- feita por nós mesmas, mulheres! Hoje a gente vai numa festa, numa balada e parece uniforme: As moças usando o que parece ser uma blusa de lycra esticada para (tentar) virar vestido, salto altíssimo, cabelos longos e lisos e decotes (com seios igualmente enormes) enormes! Acho que a mulherada está perdendo um pouco a medida,o mistério e com isso, a sensualidade. Porque a linha entre o vulgar e o sensual é tênue mas existe!
Eu, como mãe de duas garotinhas, vivo super atenta á isso! Juju inclusive, que é a nossa blogueirinha do Vaidosinhas, me preocupo bastante em passar pra elas, bons valores, tentar equilibrar a vaidade e chegar à um consenso. Mas confesso que ainda não consegui!rsrs Porque estamos vivendo essas mudanças muito aceleradas, nós, na faixa dos 30, somos a geração saída do forno, de novas mulheres, estamos reinventando nossos papéis de mãe, profissional, mulher, esposa e não é fácil! Como podemos ver na gravura acima, antigamente os manuais de beleza eram livros muito comuns, e a cultura do corpo feminino era delineada por conselhos e dicas de como ser uma boa mãe e esposa. Nossas avós viveram pra isso!Poucas concluíram os estudos e se formaram.A única preocupação era cuidar do lar, do marido e dos filhos e muitas e muitas vezes, abdicavam dos desejos pessoais pra isso, ou, nem sabiam quais eram seus desejos pessoais. Mas nós não queremos abrir mão de nada! Nossa geração tem acesso tão fácil e Fast à tudo que acabamos por querer abraçar o mundo! Mas eu, quero passar estas noções às minhas filhas TAMBÉM!Quero dizer "Olha meninas, vocês vão estudar o que quiserem, vão viajar e conhecer outras culturas e vão aprender a serem felizes por si mesmas E SE (e, se*) aparecer um cara bacana, que olhe na mesma direção de vocês e que some coisas boas na vida de vocês, aí sim, se casem se quiserem e por favor, me deem muitos netos!" Mas não quero condicionar a felicidade delas exclusivamente ao ciclo casamento-marido-filhos. Entendem?! Mas...estou atualizando sempre meu scrapbook de receitas pra elas!!Acho que a mulher deve saber cozinhar e receber bem em casa! :) Hahaha!!!Acho que é justamente essa dualidade, que faz de nós, "brotinhos" da geração XXI, uma fornada especial, concordam?! Bom, o livro ainda passa por capítulos falando da relação da beleza com os homens, o que era e o que é atestado de "virilidade" hoje, fala também do aumento expressivo e das formas de cirurgias plásticas e do impacto que tem sobre a saúde.
Porque também não se pode recorrer sempre à intervenções cirúrgicas, antes de fazer uma lipoaspiração por exemplo, devemos procurar fazer uma RA, uma reeducação alimentar aliada à exercícios físicos para combater as gordurinhas em excesso antes de entrar na faca! Hoje eu vejo filhas de conhecidos, com 17 anos, entrando numa cirurgia para colocar silicone sem a menor necessidade!Temos que dosar então e ter a consciência de que uma prótese mamária não vai te suprir nas suas carências e não vai te compensar nas suas frustrações perante o mundo!É fundamental que essa menina de 17 anos saiba que o silicone não vai mudar em nada o jeito como ela é vista por aquele grupo de caras populares do colégio, que essa mudança é interna, que é ela quem deve mudar (ou não) a sua visão de si mesma, sua percepção perante o mundo e assim, corrigir uma timidez, a postura ou seja lá o que for que incomoda. A questão é que a expressão "A beleza vem de dentro" continuará valendo sempre, pois de fato, beleza é algo muito mais profundo e interior do que meramente físico!Conheço pessoas que não são nem de longe o "padrão" de beleza mas são seguras de si, vivem relacionamentos duradouros e felizes e se aceitam e isso as torna bonitas e interessantes e em contrapartida conheço homens e mulheres lindíssimos, que são extremamente ciumentos e com aquela necessidade chata de se auto afirmar o tempo todo, com quem eu não consigo conviver 10minutos! Sem "nádegas" à declarar!!Não precisamos ser todos iguais.Aliás, em terra de chapinha, quem tem cacho é rainha!!!kkkkk Bom, a autora responde muito melhor do que eu, nessa entrevista "online" que tive o privilégio de fazer com Denise Bernuzzi de Sant´anna!
Denise é historiadora e professora da PUC-SP, doutourou-se em História na Universidade de Paris VII,com um estudo sobre os cuidados com a aparência ao longo do século XX, é especialista em História do corpo e coautora de Nova História das mulheres no Brasil, publicado pela Editora Contexto. 1 - Fiquei com uma super vontade de te perguntar, o que você, a mulher Denise Sant´anna, considera bonito, qual é o seu padrão de beleza?! Há quem diga que a beleza interior é a mais bela...há quem diga que a elegância é uma beleza que não se compra, e, como dizia Vinícius, os feios que desculpem mas a beleza é fundamental??!! Desde a metade do livro fiquei super curiosa pra saber qual é o seu "padrão ideal de beleza"! DENISE- Os padrões que aprecio são certamente os mesmos que a maior parte das pessoas, não é porque estudei o tema que poderia escapar a isto ou pensar algo diferente e original. O que me parece importante afirmar é o seguinte: desde os anos 60, dizer o que é um padrão de beleza envolve muito mais qualidades psicológicas do que antes: falar de beleza é referir-se a sentimentos, à autoestima, ao combate às frustrações e aos medos, ou seja, beleza refere-se a todo um rol de problemas que ultrapassam meramente o corpo físico. Além disso, os padrões de beleza se tornaram muito mais internacionalizados do que antes. Contudo, a exigência da aparência rigorosamente jovem cresceu, juntamente com o aumento da expectativa de vida. Além disso, menos do que um dom, beleza pode ser cada vez mais fabricada, inventada, mas também destruída pelas próprias mãos. A liberdade que cada um adquiriu para intervir no desenho do corpo é hoje muito maior do que nos séculos passados. 2 - Queria te perguntar o que você está achando dessa mudança radical dos padrões de beleza das brasileiras, que até poucos anos atrás, queríamos ser altas, magérrimas e loiras como as europeias e hoje temos, necessariamente, que ser musculosas e ter bíceps enormes e a figura até um pouco masculina, o que você acha desse novo estereótipo da beleza brasileira? DENISE- Me parece que essa transformação explica-se por meio de 3 tendências iniciadas na segunda metade do século passado: 1.a tendência de vários setores da moda e das artes buscarem inspiração nas culturas populares e estas, tradicionalmente, apreciarem corpos que exibem força, curvas e algum peso. 2. Houve uma ampliação do mercado de trabalho das "executivas", mulheres disputando com homens altos postos de comandos em empresas de vários tipos. Esta mulher, que deve aprender a ser muito competitiva e competente, precisa expressar um "corpo de fera", e não mais, como nos anos 50, um corpinho de mulher flor. O que significa ombros largos, pernas longas, boca grande, peito forte, braços musculosos, enfim, uma beleza de feroz, como até então só o sexo masculino vangloriava-se de obter. 3. No Brasil, sempre houve atração pelas mulheres curvilíneas, é preciso considerar isso, além da influência norte-americana baseada no direito ao músculo feminino, que nos atinge desde os anos 80. 3 - Se você acha que vale tudo na busca pela beleza...como você encara o fato do Brasil ter superado recentemente os EUA e ter ficado em primeiro lugar no ranking mundial de cirurgias plásticas? DENISE- Ah, são vários fatores: num país com uma população jovem muito expressiva como o Brasil, parece ser mais forte a necessidade de se manter jovem e, desse modo, permanecer no mercado de trabalho, amoroso etc. Há também uma real evolução das técnicas cirúrgicas e uma facilidade em aceitar a cirurgia plástica, ou seja, as condenações morais tornaram-se menores no Brasil do que em diversos países da Europa. Há mesmo um estimulo para que os procedimentos de rejuvenescimento sejam feitos. Há, ainda, entre os brasileiros, uma confiança antiga na tecnologia considerada de ponta, tendência que se explica ao longo da nossa história, repleta de fascínios diante do que se convencionou chamar de modernidade tecnológica. E, por fim, existe muita dificuldade em perceber algum valor no envelhecimento, ou mesmo alguma utilidade em parecer velho. Não se trata exatamente, como em outros países, de menosprezar quem se parece velho, ou ao contrário, de valorizar aqueles que assumem o próprio envelhecimento. Aqui ocorre algo curioso e talvez bastante cruel: quem parece velho não é digno de nota. É como se esta criatura estivesse fora do campo visual e auditivo dos demais seres.
Denise, infelizmente, tem toda razão quando diz que aqui no Brasil, idosos são quase "invisíveis". Mais uma questão cultural nossa, que certamente levará mais algumas décadas para ser mudada, diferente do Japão por exemplo, onde ser velho é sinal de ser sábio e a cultura é enraizada na população, que trata os idosos com muito respeito e cuidado, aqui, nós fazemos o oposto. Os brasileiros têm medo de envelhecer. E você?Até que ponto vai para se manter bela e jovem?!Conta pra gente!Mais uma vez obrigada pela companhia aqui no MV, espero que vocês tenham gostado e até semana que vem!Beijos!Bruna.Agradecimentos: Editora Contexto;Note Comunicação e Denise Bernuzzi de Sant´anna.
Comente com sua conta Blogger
Comente com sua conta Facebook
Comente com sua conta Google+

9 comentários:

  1. Muito interessante o tema do livro! Também acho muito importante parar e analisar para ver o que realmente é o nosso desejo e nos fará feliz e o que os outros querem nos fazer acreditar que é necessário para nossa vida!Bjos
    Mi interessa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Ale!!Eu penso exatamente igual! Até onde vale a pena fazer sacrifícios em nome de um "Padrão" que alguém criou...acaba virando uma prisão! Beijos e obrigada!

      Excluir
  2. Ahh,esqueci de dizer: Adorei também a caneca!Linda!

    ResponderExcluir
  3. Andréia você trabalha num lugar muito sem graça né rsrs, deve ser bom trabalhar nesse hotel.
    Sua bolsa é muito linda mesmo, já tinha visto ela no site.
    Beijos
    Luh
    http://www.blogsemprebelas.com/

    ResponderExcluir
  4. Eu acho realmente que tudo tem um limite.
    Algumas coisas podem ser melhoradas, mas outras, nem um milhão de plásticas dão jeito...
    Então é bom sempre ter bom senso..
    bjks

    ResponderExcluir
  5. Acho que vaidade é muito bom, mas em excesso pode ser prejudicial sim! bjs!

    ResponderExcluir
  6. Muita coisa interessante que eu nem conhecia. Mas, como tudo na vida, tem limite sim!

    http://meus-sonhos-meus-pesadelos.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Ariane, eu concordo com você!Tem coisas que eu não faria de jeito nenhum em nome da beleza! :) Obrigada pelo seu comentário!Beijos!

      Excluir
  7. Muito bom o texto e o livro parece interessante, penso que a vaidade é uma aliada desde que não se torne escravidão, envelhecer também seus encantos.Beijocas!

    ResponderExcluir

Eu fico muito feliz com o seu comentário.
Gentileza gera Gentileza.
Deixe o link do seu blog para que eu possa visita-la também.
Andréia Sales



Subir

Siga a gente no Instagram @MaeVaidosa